segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

QUEBRANDO O SILÊNCIO...



Pra falar que 2011 foi um ano moderado. Eu tive menos tempo e mais trabalho, logo mais dinheiro, mais moderação com o uso deste dinheiro, mais amor, mais amigos, mais realizações, menos quilos e mais saúde, mais conhecimento e menos paciência, senti a cada segundo a urgência de ter que correr contra o tempo e a ansiedade pelo futuro. Senti ansiedade já no finzinho pelas coisas que não concluí em 2011, mas daí percebi que tenho um ano novo inteirinho para completar aquilo que não por negligência não cumpri, mas justamente por essa luta infinita contra o tempo, o que denota menos organização e mais stress. Fui ao mesmo tempo mais compreensiva e menos firme, porque foi necessário, porque quando se trata de família não é apenas fazer o que se acha certo, mas também ter flexibilidade e compreensão com a fraqueza dos outros.
Terminei 2011 mais adulta, mais consciente, mais firme nos meus valores, mas ainda tentando alinhá-los a meus objetivos, porque alcançar os objetivos profissionais parece ir na contramão daquilo que acredito ser o certo, portanto, espero que 2012 me traga mais sabedoria para fazer as escolhas certas, para refazer meus sonhos e retraçar os objetivos. 

Eu não vou fazer lista este ano (sempre coerente), o que quero mesmo em 2012 é terminar o mestrado no tempo certo e não surtar pra que isso aconteça, no mais, que eu não pule no pescoço de ninguém porque isso é muito feio e todas as pessoas que me dão vontade de fazê-lo não merecem nem que eu tome nota da existência delas. Tô esnobe mesmo neste começo de ano...


Petitinha.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DIÁRIO DE VIAGEM: CHILE - ANTES TARDE QUE MAIS TARDE - PARTE I

Uma das pendências de 2011 é o diário de viagem do Chile, país pelo qual eu fiquei tão apaixonada, aliás ficamos eu e a Cris, tanto que alteramos nosso roteiro e abrimos mão de ir ao Peru e à Bolívia para conhecer melhor o Chile.
Após uma semana em Buenos Aires partimos para Santiago de ônibus, pois queríamos ter a experiência de descer a Cordilheira dos Andes. Viajamos pela Cata Internacional, as passagens custaram em fevereiro 300 pesos argentinos, mas pelo que vi no site da OmniLíneas tá custando bem mais agora.
Amanhecer tendo essa vista não faz mal à ninguém, ao contrário faz um bem danado à alma  
Nossa escolha não podia ter sido mais acertada, tanto de irmos de ônibus porque a vista da Cordilheira ao amanhecer é inexplicavelmente linda, eu ficava olhando pela janela do ônibus extasiada, quanto pela escolha da empresa, aliás devo dar o crédito pela escolha da companhia ao André que deu a dica no blog dele e respondeu com muita atenção às minhas dúvidas, o serviço da Cata é muito bom, exceto pelo fato de que repetem os filmes milhares de vezes nas quase 23 horas de viagem, sério não consigo ver filmes com o Denzel Washington até hoje e caio na gargalhada só de ouvir falar em "The Expendables", que foi traduzido por Los Indestrutibles, ver Stallone e companhia hablar español é impagável! O serviço inclui jantar quente (arroz, batata e gnochi) com uma bebida (água, refrigerante ou néctar de alguma fruta), cobertor, travesseiro e café da manhã (doce de leite, torradinha - aquela que todo mundo conhece - alfajor, torrone e café solúvel) no almoço tornam a servir o mesmo do café da manhã.
À parte isso, é recomendável que não se leve frutas ou artesanatos na bagagem, pois o pessoal na alfandega da fronteira é bem rigoroso quanto a isso, depois da alfandega é prender o fôlego e encarar as 37 voltas de descida da Cordilheira, um misto de excitação e medo, demais!
Descida da cordilheira - medo e deslumbre se misturam
Chegamos a Santiago por volta das 15h, fomos direto para o Che lagarto onde havíamos feito reserva pela Hostelworld, o hostel está super bem localizado na San Antonio, 60, perto de lojas, da Biblioteca Nacional, da La Moneda, perto de vários bancos e casas de câmbio, contudo não gostamos muito das instalações. Fomos almoçar e dar uma peruada pelo comércio nos arredores e na volta paramos no Itaú onde conhecemos uma brasileira que está fazendo mestrado lá, ela nos deu algumas dicas de como lidar com os taxistas, pois muitos taxistas clandestinos estavam aplicando golpes em turistas, nos indicou também o Andes Hostel que fica ainda melhor localizado que o Che Lagarto, no mesmo dia visitamos o Andes e nos transferimos na manhã seguinte, pois já havíamos pago a diária da primeira noite no Che Lagarto e não tínhamos forças pra sair com aquelas malas enormes.
O Andes Hostel fica na Monjitas 506, bem em frente à saída da estação Bellas Artes, no Bairro Bella Vista próximo à vários bares, cafés e restaurantes, a uma quadra do Museu de Belas Artes, quatro quadras do Cerro Santa Lucia,  e a uma caminhada de alguns minutos da Plaza de Armas, da galeria Gabriela Mistral e do Cerro San Cristóval. As instalações são ótimas, o lugar é limpo com decoração de inspiração vitoriana, acesso a internet com Wi-Fi no primeiro andar e um café da manhã bem servido.
Fachada do Andes Hostel
Depois de nos instalarmos no Andes pegamos um mapa com os pontos turísticos mais próximos e fomos caminhando em direção ao Cerro San Cristóval, lá compramos o ingresso completo, que inclui o Cerro e o Zoológico Metropolitano, por 10 pesos chilenos, passamos o dia por lá encantadas com a vista que se tem da cidade a partir do Cerro, que é também um parque onde as pessoas vão pedalar e praticar atividades físicas.
Vista de Santiago a partir do Cerro San Cristóval

Na volta do Cerro fomos jantar no The Clinic, um bar e restaurante super cool que foi recanto esquerdista durante a ditadura chilena, decorado com várias imagens do cinema, fotografia de personalidades da política chilena e frases históricas, tem uma lojinha com venda de camisas, souvenires e  publicações super irreverentes. O cardápio oferece comidas típicas e vinhos nacionais de ótima qualidade.
They tried to let me go to rehab, but I say no, no, no!
Na manhã seguinte fomos ao museu La Chascona, casa do Pablo Neruda, a entrada custa algo como 7 pesos chilenos, é uma visita guiada e só é permitido tirar fotos fora da casa. Os guias contam um pouco da história do Neruda, enfatizando no romance dele com a Matilde, enfim a casa toda foi planejada por ele para que pudessem viver o grande amor que sentiam um pelo outro e esse amor está implícito em toda a casa e em todos os seus objetos.
No quintal do Neruda - casa inspirada e barco ao fundo
No dia seguinte fomos visitar a vinícola Concha Y Toro, aliás um dos dois passeios que fizemos por pacote. Contratamos o pacote no Che Lagarto e custou 18 mil pesos chilenos. O motorista chegou pontualmente no horário combinado - 10h da manhã. Como apreciadora do Casillero del Diablo adorei o passeio, basicamente o guia apresenta a pequena mansão do casal Concha y Toro, depois mostra uma parte do parreiral, explica u pouco do processo de produção das uvas e dos vinhos, segue-se uma degustação de vinhos, depois visita à adega onde os vinhos ficam maturando e uma visita ao Casillero del Diablo com direito a uma performance "fantasmagórica" encerra-se o passeio na loja da propriedade onde compra-se vinho bom pela bagatela de 12 realidades.
Brinde antes da degustação

Na volta da vinícola fomos a um restaurante no mercado municipal chamado La Piojera, que foi recomendação do motorista que nos levou até a vinícola. O restaurante é super agradável, ponto de happy hour dos locais e dos alunos das universidades que ficam no bairro. 

Jantamos nesse restaurante e fomos para a Maestra Vida, uma salsoteca que fica em frente ao Funicular do Cerro San Cristóval na Pio Nono, rua das baladas do bairro. 
A maestra Vida, onde matamos a vontade de dançar salsa. Imagem: 800cl 
No sábado fomos para Viña del Mar e Valparaíso, mas essas são cenas dos próximos capítulos. Posto em breve, espero que amanhã o restante da viagem.

Petitinha, la viajera.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O CAJUEIRO ELÉTRICO

Outro dia voltando do almoço, depois de duas horas de chuva, encontro uma equipe da rede de energia olhando com ar de preocupação para um cajueiro que fica ao lado da escavação. Um deles se dirigiu a mim:
- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Eu sou o Juvenal encarregado pela equipe.
- Olá seu Juvenal, em que posso ajudá-lo.
- Eu temo que tenha más notícias pra senhora. 
- Diga (Oi? Eu tenho 20 e poucos com cara de 18 meu senhor, senhora? É uma forma de demonstrar respeito, generalzinho é Mon Cher?).
- Acontece que este cajueiro está eletrizado com mais de 3800v...
Tuuuuuuuuuuuuuuuuu, morri!
- Ele tá enrolado na fiação e eu recomendo que a senhora não trabalhe nessas condições...
- (...3800v?)
- Choveu ainda a pouco, tá tudo molhado. Vocês podem levar um choque fatal...
- (fatal, ele disse fatal?!)
- E se ventar um galho pode bater em vocês...
- Fatal?!
Eu não posso obrigar a senhora a sair, mas eu recomendo fortemente.
- Obrigada então.
Seguiram-se algumas perguntas sobre a escavação, enquanto eu levantava acampamento, sobre dinossauros, ouro e Júlia, quase chegou nos diamantes...
Me convenceu nos 3800v, nem precisava do resto. É esse tipo de glamour que cerca a vida de arqueólogos...o que Indiana Jones e Lara Croft enfrentam é fichinha perto de um cajueiro eletrizado...


Petitinha, arqueóloga (paleontóloga não, please!).  

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

INSANIDADE

Minha irmã diz que se eu mostrasse, em público, o quanto eu sou insana em casa, já teria sido internada. Qualquer um no hotel onde estou hospedada concordaria com ela. Eu e Joanna, uma moça que está escavando comigo, fomos adotadas no hotel de tanto tempo que estamos lá (desde julho), então já me sinto em casa, logo...
Outra noite acordei com sede, fui ao frigobar e na volta não vi o Mon Cher na cama, então achei que seria lógico ligar para a recepção e perguntar por ele...às três da madrugada. O Mon Cher está em Belém. Virou piada interna no hotel.
Faço coisas nesse nível o tempo todo.
Petitinha, a insana.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

SINA

Eu amo meu trabalho, mas há dias em que só um chocolate resolve. Mas como eu fui agraciada com alergia a chocolate, certeza que todas as entidades divinas riem da minha cara nesses momentos. Sinto elas apontando pra mim com aquela cara de Rá! Sério.

domingo, 6 de novembro de 2011

RAMBINHO

Resultado de namorar um aficionado por militarismo: vou todos os dias para o sítio com um chapéu camuflado e uma faca de caça (com capa também em camuflado) na mochila para que todos vejam, e minha suposta segurança. Começaram a me chamar de rambinho...

domingo, 30 de outubro de 2011

DIÁLOGOS COM A JUBAS II

Vim a Belém esse final de semana para a formatura do Mon Cher, que será amanhã. Óbvio que a Jubas foi convidada, não sei se já mencionei que ela trabalha numa companhia aérea e que sempre nos vemos quando estou embarcando/desembarcando, aliás nos últimos tempos a gente SÓ  se vê nessas ocasiões. Ontem fui direto ao balcão onde ela estava e esperei ela se desocupar e vir falar comigo, então ela me olha, eu aceno, ela sorri e vem e minha direção, segue o diálogo:
_ Dai! Que saudade amigaaa!
_ Oie! Nada que uma formatura não faça. É na segunda, tu vais né?
_ Claro! Vou estar de folga. Por um segundo quando eu te vi pensei " droga! hoje é sábado, a formatura foi ontem e eu esqueci. Peraí, eu não fui e ninguém brigou comigo?! A Dai tá aqui pra brigar comigo, por trás desse sorriso tem uma briga, meu deus vou fazer de conta que não vi ela".
_ Jubas tu pensaste nisso nesses 10 segundos andando na minha direção?
_ É. Eu ia me abaixar e fingir que fui pegar alguma coisa atrás do balcão.
_ Só tu mesmo Jubas...(cinco minutos de gargalhadas)

Meus amigos acham que por trás do meu sorriso tem uma briga, mas eu sou tão meiga!

Petitinha, a briguenta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

COMANDO

O Mon Cher esteve me ajudando nas escavações entre agosto e setembro. Claro que trouxe junto seu interesse por militarismo, logo criou patentes para toda a equipe.
Eu era apenas um generalzinho, não só pela minha altura, mas também porque eu comandava um grupo de apenas quatro pessoas, enquanto a Cris comandava 20 em outra área do sítio. Ela que sabe a dor de cabeça que isso dá.
Depois ficamos sabendo por um dos voluntários (militarismo na veia, rá!) que a minha escavação era alvo da curiosidade de toda a universidade, serumano é muito curioso, todos queriam saber onde ia dar aquele "buraco" sem fundo. 
Então o Mon Cher me promoveu a general...Mal sabe ele que ninguém me leva a sério ao me ver chegar na universidade na minha magrela enferrujada todas as manhãs. 


Petitinha, a generalzinho.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

COTIDIANO

Hoje de manhã que surpresa boa, aquele relógio que eu adoro, e se transforma em outros quatro porque posso mudar as pulseiras, voltou a funcionar, assim eu fiquei triste quando o ponteiro parou, prometi mandar concertar, mas ficou lá esquecido no fundo do guarda-roupas. Qual não foi minha surpresa nesta manhã ao resolver usar só a pulseira pra pôr cor no meu dia e o ponteiro tava lá cumprindo sua função!
Foi um bom sinal, eu sei que foi. Gosto de saber que pequenas coisas podem me fazer feliz, porque volta e meia a Daiana megalomaníaca toma conta, mas eu tô aqui ainda dentro de mim...melhor parar enquanto o papo ainda tem sentido.

Petitinha, a sortuda.

domingo, 21 de agosto de 2011

I LIKE MOVIES

Estou em Santarém (no interior do Pará e candidata a futura capital do estado do Tapajós) fazendo a pesquisa de campo do mestrado, na verdade passei o mês de julho aqui e fui a Belém no começo de agosto cursar uma disciplina e resolver a eterna questão da moradia - um ano passa rápido demais!
Enfim, depois da disciplinas tirei 5 dias do que chamei de mini mini-férias, corri na locadora e catei alguns filmes que tava louca pra assistir e ainda arrematei algumas pérolas do cinema que estavam à venda por preços amigo$.
Dos filmes locados o primeiro que assisti foi Dança com Lobos (1990), pode ser difícil de acreditar, mas eu não havia assistido esse filme. Gostei muito, sem dúvida uma das melhores atuações do Kevin Costner, conseguiu passar toda a solidão e inquietude do New Tenent Jhon Dunbar. Adorei a fotografia do filme.

Outro clássico do cinema (ao menos do Cinema em casa) que eu ainda não tinha assistido é Caça Fantasmas (1984), achei super engraçado e não consigo me lembrar de nada mais trash do que aquele boneco gigante de mashmallow.

O terceiro filme que assisti foi Casino Royale (1967), com a primeira atuação do Woody Allen interpretando o vilão Jimmy Bond, o sobrinho megalomaníaco de James Bond (David Niven) . A atuação do Allen está impecável e preciso admitir que uma nave espacial sequestrando a filha do 007 com a Mata Hari foi bem trash também, mas não supera o boneco de mashmallow.
  
O último dos filmes locados foi O Casamento de Rachel (2008) drama estrelado pela Anne Hathaway. Durante o final de semana de casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt) a família revive todos os conflitos desencadeados por Kim (Hathaway), à primeira vista uma abordagem pretensamente realista dos problemas que adictos enfrentam e provocam em suas famílias, o filme em seu desenrolar mostra a melancolia da realidade familiar, onde o papel de culpado e inocente é desempenhado por todos, os ressentimentos entre as irmãs é constante, assim como o esforço do pai por manter a harmonia no lar, mas o carinho que sentem também fica evidente.

Das preciosidades que comprei assisti Scaramouche (1952) dirigido por George Sidney e estrelado por Stewart Granger, é considerado a melhor obra de Sidney e a melhor atuação de Granger. O filme é ambientado na França do século XVIII e apresenta o duelo de espadas mais longo do cinema (6 minutos) - o que já ganha minha simpatia de amante da história - já tinha ouvido falar desse filme, mas nunca esperava encontrar em Belém, foi uma dessas surpresas boas da vida. Conta a história do galante aventureiro André Moreau (Granger), que acusado de traição é obrigado a entrar para uma companhia de teatro mambembe dando vida ao palhaço Scaramouche que faz um tremendo sucesso e o mantém perigosamente perto de seus inimigos e de duas belas mulheres que o amam e fazem de tudo para evitar o duelo de espadas que ele pretende travar com o maior espadachim do reino. Garantia de boas risadas, ótimo cenário e todo o glamour do cinema dos anos 50.
Os outros dois filmes que comprei foram What's up, Tiger Lily? (1966) primeira direção de Woody Allen e a Liberdade é azul (1993) da Trilogia das cores de Krzystof Kieslowski, tô louca para assistir os dois, mas vou ter que esperar a próxima folga. À propósito, não lembro se já mencionei aqui que o Woody Allen é meu diretor preferido...

Petitinha, projeto de cinéfila.