Algumas frases que fazem parte de meu caderno de notas(quem nunca teve um?) da adolescência, eu adorava anotar as que mexiam com a minha alma de alguma forma.
" Tudo vale a pena se a alma não é pequena"
"Mil léguas começam embaixo dos seus pés"
" Os inimigos odiar-se-iam menos se se conhecessem melhor"
"No final é entre você e Deus"
Bom fim de semana a todos. ^^
sábado, 31 de janeiro de 2009
O QUE É IMPORTANTE PARA VOCÊ?
Ai final e começo de ano é sempre a mesma coisa, as pessoas fazem um balanço de suas vidas no ano que está acabando e fazem planos para o ano que está chegando, quentinho saído do forno. Daí uma semana depois o encanto passou e as promessas já não tem o mesmo peso e as esperanças já não são as mesmas. Posso estar generalizando, mas eu vivencio isso e acho que por mais que as pessoas não admitam isso acontece, by the way, este ano quero que seja diferente, eu não vou de uma hora para outra mudar radicalmente atitudes que me acompanham a vida toda, mas espero que esteja de corpo e mente no presente para perceber as bençãos diárias que recebo, não quero deixar para fazer um balanço da minha vida no final do ano, quero perceber a minha vida agora djá. Ouvi uma frase ontem que me tocou " quando fazemos alguma coisa é bom estarmos presentes de corpo e mente porque senão nem vamos sentir o resultado", é isso. Simples. Quando a gente está com o corpo em um lugar e a mente em outro não conseguimos sentir a vida passando, como vamos perceber que fizemos algo errado, que estamos magoando alguém querido, ou dando pouca importância aos amigos se não damos atenção a nossas próprias atitudes? Ou o contrário como saber se tivemos êxito em algum projeto se estamos com a cabeça no futuro (ou no passado)? Andamos tão cheios de coisas para fazer que não temos tempo para prestar atenção no agora, sempre ansiosos pelo que está por vir, o que queremos alcançar. Traçar metas para o futuro é ótimo, mas também é muitíssimo importante dar atenção ao caminho que precisamos percorrer até alcançá-las. Porque o futuro não é só daqui a tantos anos quando teremos isto ou aquilo, o futuro é feito de cada segundo e o que fazemos com esses preciosos(embora não valorizados) segundos define como será daqui a alguns anos.
Bem... acho que mais importante para mim é conseguir ser uma arqueóloga bem sucedida, mais qualidade de vida e estar acompanhada das pessoas que amo.Quero passar mais tempo com meu namorado e dar e receber mais carinho, assitir a um bom filme e tomar um bom vinho, talves um jantar romântico....
E o que é de fato importante para mim? Sem dúvida saber que estou lutando pelos meus desejos e que estou no caminho certo para alcançar meus sonhos. Quero poder chegar daqui a uns anos, ou minutos, e saber que minha vida valeu à pena, e que a vivi da melhor maneira possivel, que não a desperdicei, quero não me arrepender de minhas escolhas. Quero ter consciência de que vivi da maneira que escolhi não simplesmente segui o que a vida me impôs, quero ter certeza de que tive escolhas e as fiz. quero viver, quero ver os bons momentos, sempre, ver o lado bom das coisas, quero me sentir parte de algo, quero ser util, ou não, quero me importar, sem críticas, quero falar, quero ouvir, quero viver.
Bem... acho que mais importante para mim é conseguir ser uma arqueóloga bem sucedida, mais qualidade de vida e estar acompanhada das pessoas que amo.Quero passar mais tempo com meu namorado e dar e receber mais carinho, assitir a um bom filme e tomar um bom vinho, talves um jantar romântico....
E o que é de fato importante para mim? Sem dúvida saber que estou lutando pelos meus desejos e que estou no caminho certo para alcançar meus sonhos. Quero poder chegar daqui a uns anos, ou minutos, e saber que minha vida valeu à pena, e que a vivi da melhor maneira possivel, que não a desperdicei, quero não me arrepender de minhas escolhas. Quero ter consciência de que vivi da maneira que escolhi não simplesmente segui o que a vida me impôs, quero ter certeza de que tive escolhas e as fiz. quero viver, quero ver os bons momentos, sempre, ver o lado bom das coisas, quero me sentir parte de algo, quero ser util, ou não, quero me importar, sem críticas, quero falar, quero ouvir, quero viver.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Kate com o Globo de ouro

Winslet comemora o prêmio com o marido Sam Mendes diretor de Revolutionary Road.
E por falar em Kate Winslet, a moça foi vencedora de dois Globos de Ouro: de melhor atriz em um drama por Revolutionary Road e de melhor atriz coadjuvante por The Reader. Em Revolutinary Kate fez par com Leonardo di Caprio onze anos depois do megasucesso Titanic, no longa Kate é uma dona de casa que abandonou o sonho de ser atriz e Leo um profissional bem sucedido porém envolto em tédio, os dois convivem entre manter a vida e cuidar dos filhos e a realização de seus sonhos. Em The Reader, Kate é Hanna Schmitz que foi presa e julgada pelos nazistas, cujo julgamento é assistido pelo jovem Ralph Fiennes(David Kross), a história é relembrada por Fiennes.
Heath Ledger levou o prêmio de melhor ator coadjuvante por "Batman - o cavaleiro das trevas", o ator morreu de overdose acidental no ano passado pouco depois de encerrar as filmagens, provavelmente receberá também o Óscar póstumo este ano.
Slumdog Millionaire foi eleito o melhor filme e seu diretor Dany Boyle o melhor diretor.
Aqui você pode ver todos os vencedores.
sábado, 10 de janeiro de 2009
NÃO É SÓ UM CORPINHO BONITO


Ahhh, sexta à tarde tirei folga e aproveitei para passar a tarde com minha mamis e com minha irmã em casa, escolhemos então assistir um filminho, o escolhido foi: O amor não tira férias(The Holiday) com Cate Winslet(Titanic e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças), Jack Black (O amor é cego), Camerom Diaz ( quem vai ficar com Mary, sempre que penso nela esse filme me vem à cabeça) e Jude Law ( AI - Inteligência Artificial e Closer- perto demais),conta a divertida história de duas mulheres que com seus corações partidos em plena época de natal, entram em um programa de intercâmibio de casas, assim uma vai para L.A. e a outra para Surrey uma cidadezinha à sudeste de londres, quando Iris(Cate Winslet) conhece o amigo(Jack Black) do ex de Amanda(Camerom Diaz)e, Amanda conhece o irmão de ìris(Jude Law) o amor se apresenta de maneira inesperada para as duas.
O filme já valeria à pena assistir por suas cenas de comédia leve, mas com Jude Law fazendo um viúvo sensível(chorão nas palavras do personagem) da pra rever sempre, sem falar que a beleza e o charme dele sobram nesse encantador filme.
Daí que eu resolvi pesquisar sobre o Jude Law( eu só conhecia AI e Closer), bom descobri que ele tem quase trinta filmes no currículo, 2 indicações ao Oscar(em 1999 por "O Talentoso Ripley" e em 2003 por "Cold Montain" em que fez par romântico de ninguém menos que Nicole Kidman)e foi indicado 3 vezes ao Globo de Ouro, entre outras indicações a outros prêmios, genten o cara trabalha muuuuito e ainda é bom marido e bom pai, melhor que isso só Clive Owen...mas isso é outra história...ahh esses ingleses.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
FELIZ 2009!!!!!
Este post é para desejar a todos aqueles que por aqui passam um ótemo ano novo, esse tempo é muito bom, as esperanças se renovam e enchemos a alma de desejos e damos a vida um sentido que deveria persistir o ano todo, mas como isso não acontece pelo menos uma vez ao ano lembramos de parar para pensar em nossas vidas, nossos sonhos e desejos, e o que desejo neste momento é paz espiritual e alto-confiança em alta,tão necessárias para a sobrevivência no mundo moderno.
BJOKS para todos e 10,9,8.... Happy New Year!!!
BJOKS para todos e 10,9,8.... Happy New Year!!!
sábado, 29 de novembro de 2008
FIM DE ANO
Fim de ano a gente sempre faz aquela contabilidade do ano que se vai e sai fazendo promessa para o próximo, e nem sempre cumpre e consegue mais do que queria, e se surpreende, se decepciona e encontra pessoas novas que iluminam sua vida, e sorri e chora e quando vê mais um ano se foi e você está de novo contabilizando tudo.
Estou cá a filosofar sobre este ano que passou eu mudei de emprego, mantive outro, trabalhei demais mesmo,fiz uma viajem inesperada e fiz novos amigos, e mudei de casa, morei sozinha, comprei flores,não li tudo que queria, mas li demais, tive ótemas surpresas, conheci a blogesfera e crei um blog, que não ficou famoso, que não bateu recorde de coments, que quase não tem coments, mas que tem pessoas que eu sei que passam por aqui e lêm e não comentam porque assim como eu não tem muito tempo ou não tem o que falar mesmo, mas enfim conheci pessoas na blogesfera que tornaram meus dias mais sweeties e me tornei mais cool, descobri que a grande mudança de visual que eu queria já aconteceu interna e externamente e foi tão natural que nem percebi e, isso nem foi tão ruim porque agora que percebi a sensação é ótema!! E muitas outras coisas que fcam para outro post.
BJOKS.
Estou cá a filosofar sobre este ano que passou eu mudei de emprego, mantive outro, trabalhei demais mesmo,fiz uma viajem inesperada e fiz novos amigos, e mudei de casa, morei sozinha, comprei flores,não li tudo que queria, mas li demais, tive ótemas surpresas, conheci a blogesfera e crei um blog, que não ficou famoso, que não bateu recorde de coments, que quase não tem coments, mas que tem pessoas que eu sei que passam por aqui e lêm e não comentam porque assim como eu não tem muito tempo ou não tem o que falar mesmo, mas enfim conheci pessoas na blogesfera que tornaram meus dias mais sweeties e me tornei mais cool, descobri que a grande mudança de visual que eu queria já aconteceu interna e externamente e foi tão natural que nem percebi e, isso nem foi tão ruim porque agora que percebi a sensação é ótema!! E muitas outras coisas que fcam para outro post.
BJOKS.
SOBRE CONTRARIAR SUA ALMA
Eu nasci com alma de arqueóloga, é o que amo fazer porque já vai além de simplesmente gostar do se faz, o que já deixei claro aqui que é muito importante para mim, mas agora indo para o ultimo ano da graduação vem a famosa monografia e... eu faço graduação em hitória!!! A universidade bem que permite que se faça trabalho em outras áreas e tal e coisa...mas,na prática não funciona bem assim, de modo que depois de um semestre de pesquisa em arqueologia vou começar do zero com projeto em história. Isso me incomodou bem mais que imagiei... parece que tô traindo minha alma e minha vontade mas, ao mesmo tempo eu não vejo a história só como um instrumento como me disseram, eu gosto disso também senão não aguentava mesmo que eu me conheço. Alma dividida até o momento que eu conseguir conciliar as coisas e acho que nem tá tão longe disso. Viva a interdisciplinaridade!!! por mais que a recusem.
SOBRE AVENTURAS
Acho que esse poem me traduz em grande parte.
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
domingo, 16 de novembro de 2008
TABACARIA
Esse é um dos meus poemas favoritos, de autoria de Álvaro de Campos um dos heteronômios de Fernando Pessoa, espero qu gostem, e vcs qual poema lhes toca a alma??
Tabacaria, de Álvaro de Campos
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossìvelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos sêres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e êste lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz de propósito nenhum, talvez tudo fôsse nada.
A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos,
Más lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que seu eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fêz.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo.
Tenho feito filosofias em segrêdo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma
parede sem porta,
E cantou a cantiga de Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num pôço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sôbre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrêlas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e êle é opaco,
levantámo-nos e êle é alheio,
Saímos de casa e êle é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões tôdas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de fôlha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida dêstes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprêso sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fôsse viva,
Ou patrícia romana, impossìvelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocotte célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que fôr, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degrêdo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para àquem do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbedo tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com desconfôrto da cabeça mal voltada
E com o desconfôrto da alma mal-entendendo.
Êle morrerá e eu morrerei.
Êle deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta gigante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas
como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da
superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entra na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever êstes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como a uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de tôdas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal
disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fôsse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo trôco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria
sorriu."
15 - 01 - 1928
Tabacaria, de Álvaro de Campos
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Àparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossìvelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos sêres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e êste lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz de propósito nenhum, talvez tudo fôsse nada.
A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos,
Más lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que seu eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fêz.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo.
Tenho feito filosofias em segrêdo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma
parede sem porta,
E cantou a cantiga de Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num pôço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sôbre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrêlas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e êle é opaco,
levantámo-nos e êle é alheio,
Saímos de casa e êle é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões tôdas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de fôlha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida dêstes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprêso sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fôsse viva,
Ou patrícia romana, impossìvelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocotte célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que fôr, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degrêdo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para àquem do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbedo tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com desconfôrto da cabeça mal voltada
E com o desconfôrto da alma mal-entendendo.
Êle morrerá e eu morrerei.
Êle deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta gigante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas
como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da
superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entra na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever êstes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como a uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de tôdas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal
disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fôsse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo trôco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria
sorriu."
15 - 01 - 1928
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
PROJETO FORTALEZA
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